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Técnicas de tranças e resgate de histórias na oficina Fios da Ancestralidade

Dia 10 de junho, às 13h acontece no SESC Itaquera a oficina “Fios da Ancestralidade”, ministrado pelo Coletivo Manifesto Crespo. A oficina tem por objetivo a aprendizagem de técnicas para cabelo crespo (como tranças jamaicanas, trança rasteira, amarrações com tecido) e o resgate das histórias de vida e memórias “capilares” dos participantes.

Buscando construir um espaço de discussão e vivência de temas ligados à biodiversidade e diversidade humana, o Núcleo Integrado de Educação e Gestão Ambiental (NIEGA) desenvolverá, junto ao Coletivo Manifesto Crespo, uma oficina de técnicas para o cabelo crespo. Além do aprendizado de técnicas de tranças, o grupo se propõe a resgatar as histórias familiares quando bisavós, avós, mães trançavam os cabelos dos filhos e transmitiam os conhecimentos de seus ancestrais. No convívio podiam conhecer as histórias antigas, podiam re-significar as próprias vidas, tendo renovado o sentimento de pertencimento a uma tradição (algo fundamental quando pensamos na valorização da cultura local e o ambiente a ela associado).

A proposta de relacionar cultura e ambiente partem da etimologia da palavra “cultura”, cuja referência latina, colere, faz a alusão inicial à colheita. No caso da oficina mencionada o Coletivo Manifesto Crespo ressalta o quanto as práticas de cuidado com o corpo estão relacionadas com as práticas agrárias, especificamente, o trançado das cestas usadas nas colheitas (e sua simbólica interligação entre os componentes, relação com a terra, estrutura dramática de sensibilidade) e o trançado coletivo do cabelo, como o grupo sugeriu.

Na religiosidade  afro-brasileira, especialmente no candomblé, a relação entre os seres vivos e aquele que realiza a prática mágica, é fundamental para a realização de seus objetivos: a maneira do cultivo, o preparo espiritual do responsável pelos cuidados do crescimento do vegetal (ou dos animais), os instrumentos utilizados no cultivo, a indumentária que os responsáveis pelo cultivo utilizam, estão muito interligados, e são vistos como agentes potencializadores da prática. Assim, nestas tradições, o corpo não se distingue do ambiente, bem como, a leitura do próprio corpo é referência para o contato com outros organismos, espaços e pessoas. A partir disso, evitamos a leitura da oficina sobre ancestralidade e técnicas antigas de cuidado com o corpo, especialmente os cabelos, visando apenas a geração de renda ou uma definição estética desacompanhada da ideia de ética.

Serviço

Fios da Ancestralidade
Data: 10 de junho, às 13h
Local: SESC Itaquera
Endereço: Av. Fernando Espírito Santo Alves de Mattos, 1000  – Itaquera

Inscrição: [email protected]

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